Brigar com Deus? Já perdeu!

Hiram Firmino – hiram@souecologico.com
Carta do Editor
Edição 119 - Publicado em: 17/09/2019

Como Fritjof Capra nos ensinou em “O Ponto de Mutação”, a vida que nos criou sempre vence a morte por três razões científicas. Primeiro: a vida é criativa (se reinventa o tempo todo). Segundo: é adaptativa (sobrevive em qualquer ambiente). Terceiro: ela ainda é multiplicativa (cria exércitos de si mesma).

Como suplantar um “inimigo” tão invencível? Melhor, estrategicamente, é sermos seu aliado; e sobrevivermos juntos. Exatamente o que Brasília e seu capitão briguento não enxergam.

No caso do Brasil incendiário e da Amazônia em chamas, o nosso eventual ocupante da presidência da República, acompanhado do seu ministro que também não gosta do meio ambiente, até que vinha provocando e derrotando todos os inimigos pequenos e humanos que criava. Mas agora, perante o palco de uma Terra e uma humanidade que nunca antes caminharam tão juntas e democráticas rumo ao inferno climático, o nosso presidente resolveu comprar outra briga sem sentido. O que comprova que nem sempre o mal é perspicaz. E reside aí a nossa esperança.

Mas quem, enfim, o capitão desafiou? Uma força feminina invencível, espécie de Mulher Maravilha que não reclama de nada que lhe fazemos de crueldade. No entanto, jamais esquece. E cobra depois, na justa forma, tudo o que lhe degradamos.

Por desconsiderar essa informação, o presidente chamou para o ringue, e agora é tarde, a própria Mãe-Natureza, a predileta de Deus. Ou, se preferir, o Pai-Criador de todas as coisas que ele, filho ingrato, evoca sempre e jamais respeita: “O Brasil acima de tudo.” Quando o certo e ecologicamente sagrado deveria ser: “A Natureza acima de tudo”.

Briga ruim essa com a Natureza, que é reverenciada desde os povos antigos e mais sábios, como a face natural de Deus. A forma física que Ele escolheu para conversar conosco, para nos ensinar e repassar a grandeza e o propósito da vida.

Já perdeu, senhor Presidente!

É só uma questão de tempo no relógio maior da vida, pra gente entender, antecipadamente, o resultado das eleições terrenas e naturais que vêm por aí. Pois – vide as últimas pesquisas de opinião – não há um só brasileiro ou terráqueo sobre a superfície do planeta, desde que com a mente e o corpo sãos, que não goste da Natureza de Deus. Não há uma pessoa sequer que não se humanize diante de uma flor, da nascente d’água que brota na mata ou de um sabiá cantado mais melancólico ultimamente. Não há quem não se enterneça diante de um céu cinzento que, mesmo avermelhado de morte, insiste em beleza e poesia sobre as árvores em chamas que o seu governo inflama, ateando junto o fogo da impunidade que também irá queimá-lo lá na frente, graças à Lei do Retorno.

Graças a isso, ao contrário de meia dúzia de ambientalistas fervorosos que éramos, pregando sozinhos no deserto político, hoje somos a humanidade inteira se tornando também ambientalista; e de maneira irreversível, cada dia mais unida em luta pela Amazônia, pelo Brasil e o mundo.

Invencível, a natureza de Deus chega a agradecê-lo, presidente, por ter colocado a nossa pátria amada em chamas no colo da opinião pública internacional. Graças ao senhor e aos Trumps da antivida, quem sabe agora, em nome da sustentabilidade e além das árvores, da Grande Floresta, a gente também consiga salvar os 23 milhões de irmãos brasileiros, índios e brancos que vivem ali, na Amazônia Legal?

É o que a Ecológico discute nesta edição.

Leia também, caro leitor e internauta, o nosso reencontro marcado com a memória iluminada de Rachel Carson. Autora do livro “A Primavera Silenciosa”, escrito no século passado, ela anteviu e denunciou o que estamos fazendo hoje com as abelhas no Brasil, graças ao liberou geral dos pesticidas, pelo governo federal. Essa grita também acompanha, felizmente, e com esperança mundial, o nosso destino amazônico.

Boa leitura!

Até a próxima Lua cheia.

Com Deus!


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