BBC: áreas desmatadas da Amazônia emitem mais gás carbônico do que absorvem

Mídia da Inglaterra abordou uma profissional do INPE que chegou a essa conclusão
Matheus Muratori - redacao@souecologico.com
Meio Ambiente
Publicado em: 13/02/2020

Uma matéria produzida pela British Broadcasting Corporation (BBC), agência de mídia da Inglaterra, e publicada na última terça-feira (11) aponta que as áreas desmatadas da Amazônia atuam mais na emissão do que na absorção do gás carbônico. Os britânicos ouviram uma especialista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que chegou a essa conclusão.

Luciana Gatti, pesquisadora-líder do INPE, falou: “Observamos que esta área no sudeste (da Floresta Amazônica) é uma importante fonte (de emissão) de carbono. E não importa se é um ano úmido ou um ano seco. 2017/2018 foi um ano úmido, mas não fez diferença nenhuma”. Ela acrescente que “cada ano é pior”.

Já o professor e pesquisador Carlos Nobre alertou: “(A Amazônia) costumava ser, nos anos 80 e 90, um forte sumidouro de carbono, talvez extraindo dois bilhões de toneladas de dióxido de carbono por ano da atmosfera. Hoje, essa força é reduzida talvez para 1 a 1,2 bilhões de toneladas de dióxido de carbono por ano”. Em outro momento, o renomado cientista diz que “se ultrapassar o limite entre 20% a 25% de desmatamento e o aquecimento global continuar aumentando sem limite, chegando aos cenários de emissões altas, então teríamos ultrapassado o ponto de virada. Hoje (a floresta já perdeu) cerca de 17%”.

(Foto: Daniel Beltrá/Greenpeace)
(Foto: Daniel Beltrá/Greenpeace)

Os estudos recentes do INPE, explicados por Gatti, apontaram que a vegetação em crescimento numa floresta em pé absorve dióxido de carbono da atmosfera fixando o carbono nas plantas e no solo. Ao mesmo tempo, a floresta emite CO2 pela decomposição de plantas mortas. No balanço, uma floresta em pé absorve mais do que emite. Já áreas desmatadas se transformam em emissoras líquidas porque quase todo o carbono nas árvores derrubadas volta para a atmosfera, seja por queimadas, seja por decomposição. O balanço exato é importante para os inventários de emissões nacionais e regionais.


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