O tempo que não temos

Roberto Francisco de Souza (*)

Diz o sociólogo polonês Zygmunt Bauman em seus escritos sobre o mundo líquido que o tempo tem passado mais depressa. Se devia passar, não sabemos. O que sabemos é que o Brasil, suas empresas e suas escolas e, vai daí, seus cidadãos, estão gastando um tempo que não têm.

Acha diferente? Então viaja!

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Se você viajar, vai ver que o tempo acelerou muito em 2018 e já vai ladeira abaixo em 2019. Fico me perguntando o que é que ainda precisamos saber para nos movermos? Alguns dirão que temos um novo governo, que reformas estruturais estão sendo feitas para acelerarmos ainda mais, quando chegar a hora. Mas que diacho de hora é essa que nunca chega?

O dilema é saber se a economia vai esperar a tecnologia ou o contrário. Tecnologia, minha gente do governo, tecnologia não espera. Ela apenas... acontece!

É isso que me preocupa no Brasil de hoje. Vamos ser invadidos, pode acreditar, e não será por canhões em nossas fronteiras, que nem gasta. Os principais países do mundo, China na cabeça, divulgaram planos nacionais para a corrida da inteligência artificial. Sabem, como disse o Putin:

"A inteligência artificial é o futuro, não só para a Rússia,

mas para toda a humanidade.

Ela vem com oportunidades colossais,

mas também ameaças difíceis de prever.

Quem se tornar o líder nesta esfera se tornará o governante do mundo".

Quem foi o poeta que escreveu que o Brasil ia ficar deitado eternamente em berço esplêndido? Será que ele sabia que, pra chegar em 2030 com o mesmo IDH da Dinamarca, vamos ter que correr quase oitenta vezes mais rápido que ela? Foi o que eu concluí numa recente apresentação que fiz na Califórnia.

Se você duvida, dá uma olhadinha nos bots da Soul Machines (www.soulmachines.com). São puro futuro! Só que não... Não para o Brasil! Por enquanto seus criadores dizem que não têm interesse em que eles falem português.

E durma-se com um barulho desses!

(*) CEO e Evangelista de Tecnologia da Kukac Soluções Cognitivas