COP24: relatório aponta perdas econômicas anuais de US$ 1,7 bi ao Brasil

País está entre os 30 onde mais se registram mortes por eventos climáticos extremos

Da Redação / Ecológico - redacao@revistaecologico.com.br
Meio Ambiente
Publicado em: 05/12/2018

A organização Germanwatch apresentou nessa terça-feira (04/12), durante a Cúpula do Clima – COP 24, a edição mais recente do “Índice de Risco Climático Global” (CRI, em inglês). Apesar de não estar entre as regiões mais vulneráveis, o impacto provocado pelos eventos climáticos extremos fizeram com que o Brasil subisse significativamente na listagem.

Na média anual das últimas duas décadas (de 1998 a 2017), o país ocupou a posição de número 90, mas pulou, no ano passado, onze degraus, passando para o 79º lugar entre 181 países. Quanto mais alta a posição do país nesse ranking, maior o risco enfrentado por sua população.

Metodologia científica

A lista é produzida a partir do número de mortes associadas a eventos climáticos, da soma de perdas econômicas em comparação ao poder de compra da população e do Produto Interno Bruto (PIB) de cada país. A 14ª edição da análise reafirma que os territórios menos desenvolvidos são, em termos relativos, mais afetados do que os países industrializados.

Porto Rico, Honduras e Mianmar estão no topo das tormentas climáticas nos últimos 20 anos. Eles são seguidos por Haiti, Filipinas e Nicarágua. De acordo com o relatório, os resultados enfatizam “a vulnerabilidade particular dos países pobres aos riscos climáticos, apesar do fato de que as perdas monetárias são muito maiores nos mais ricos”.

O que acontece é que as ameaças se traduzem mais em perda de vida e dificuldades pessoais nos países de baixa renda. No Brasil, na média anual das últimas duas décadas, o prejuízo econômico passa de US$ 1,7 bi (aproximadamente R$ 6,5 bilhões) e foram 145.600 registros de fatalidades.

Efeito democrático

Apesar de o relatório da Germanwatch comprovar que quanto menor o desenvolvimento econômico, maior o risco, ninguém está a salvo das consequências do aquecimento global. A temporada de furacões do Atlântico de 2017, aponta o estudo, também provocou impactos severos em países de alta renda.

É possível inferir, a despeito de o debate científico se manter vivo, que, com a elevação da temperatura, os ciclones tropicais estão ficando mais lentos. E, consequentemente, podem liberar mais chuva nas áreas afetadas. Além disso, aumentos registrados no nível do mar, afirma o documento, resultam em tempestades mais fortes.

O Furacão Irma, por exemplo, foi classificado como o mais poderoso já registrado sobre o Atlântico. E o Harvey estabeleceu um recorde como tempestade que mais chuva levou aos Estados Unidos. Daí a razão por que a mitigação efetiva das mudanças climáticas é (ou deveria ser), segundo conclusão dos especialistas, do interesse de todos os países do mundo.

Fotos:

Portal Correio

Tabela – Global Climate Risk Inde 2019 / Germanwatch

Reprodução / ABC News