Caesb usa lodo de esgoto para recuperar áreas degradadas

Resíduo é rico em nutrientes e torna o crescimento da vegetação duas vezes mais rápido. Experiência do Distrito Federal será apresentada no 8º Fórum Mundial da Água

Educação Ambiental
Publicado em: 13/03/2018

A Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) produz cerca de 300 toneladas de lodo de esgoto por dia. O material obtido no processo de tratamento é rico em matéria orgânica e tem auxiliado na recuperação de áreas de exploração de rochas, no Distrito Federal.
O projeto será apresentado no 8º Fórum Mundial da Água, de 18 a 23 de março. O encontro internacional deverá reunir 45 mil pessoas no Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha e no Centro de Convenções Ulysses Guimarães.

Coordenada pela Caesb, a prática trouxe resultados positivos em relação a áreas exploradas pela extração de britas e rochas para a construção civil. Na Estação de Conservação do Jardim Botânico de Brasília, no Lago Sul, o local recuperado já apresenta vegetação densa em apenas dois anos após a aplicação do lodo.
O diretor-executivo do parque ecológico, Jeanitto Gentilini, explica que o ganho com o tratamento do solo foi surpreendente. “O lodo é uma matéria-prima de altíssimo interesse”, ressaltou.

De acordo com Gentilini, o plano de manejo da Estação Ecológica do Jardim Botânico identificou 10 hectares para serem recuperados na unidade de conservação. “Tentamos vários projetos de recuperação, mas nenhum apresentou resultado tão bom quanto o obtido com o lodo.”

Melhoria do solo

A parceria com a Caesb resultou no tratamento de quatro áreas do Jardim Botânico com aproximadamente 2 hectares cada. As três primeiras receberam o lodo no início de 2016 e já têm vegetação que ultrapassa 3 metros de altura. O produto devolve ao solo os nutrientes perdidos na degradação e, por isso, estimula o crescimento das plantas.

Foram plantadas 68 mil mudas nos locais de recuperação com o lodo de esgoto. O plantio mais recente ocorreu no início deste ano. De acordo com o gerente de preservação do parque ecológico, Pedro Paulo Cardoso, a retomada da flora criou um anel verde que tem evitado a ocorrência de focos de incêndio e a propagação do fogo na região.
“A vegetação recente possibilitou a saída dessa área do grupo de risco de incêndio. No ano passado, por exemplo, não houve queimadas dentro da unidade.” O engenheiro agrônomo e analista de sistema de saneamento da Caesb, Tiago Geraldo de Lima, explica que a retirada da camada fértil – no caso das cascalheiras, pela extração de britas – deixa o terreno seco e pode provocar erosões.

Absorção hídrica

A absorção hídrica nas áreas tratadas também favoreceu a recuperação de nascentes na região da Estação de Conservação do Jardim Botânico de Brasília.
O diretor-executivo do parque ecológico afirma que o sucesso com o lodo serve de vitrine para uso posterior em outras áreas. “Queremos ampliar essa parceria e usar esse insumo para outras finalidades, como a produção de mudas.”

Processo de recuperação

Uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) define uma série de critérios para uso do lodo de esgoto, que pode ter até três classificações: tipos A, B e C.
Cada uma representa o nível de pureza do insumo, levando em conta a quantidade de bactérias e vírus. O material do tipo A tem melhor qualidade (menos bactérias e vírus) e pode ser usado na agricultura, por exemplo.
No caso da classificação B e C, a quantidade grande desses microrganismos impede o uso agrícola, porque há risco de contaminação dos alimentos plantados.
O do tipo B — único produzido no processo de tratamento de esgoto no DF — pode ser aproveitado pela Caesb para a recuperação de áreas degradadas.

Fonte: Agência Brasília