Em Florianópolis, projeto consegue reprodução de lontras

Fato é visto como uma conquista para os pesquisadores do Projeto Lontra
Matheus Muratori - redacao@souecologico.com
Biodiversidade
Publicado em: 02/08/2019

Em junho, pesquisadores do Projeto Lontra presenciaram um dos momentos mais emocionantes dos 30 anos da iniciativa. As lontras Boni e Nanã conseguiram se reproduzir e geraram dois filhotes, ainda sem nome. O fato ocorreu na base principal, situada em Florianópolis, capital de Santa Catarina.

Filhotes nasceram em 22 de junho (Foto: Divulgação/Projeto Lontra)
Filhotes nasceram em 22 de junho (Foto: Divulgação/Projeto Lontra)

Com as duas novas lontras, o refúgio passa a ter seis animais da espécie nascidas e criadas na base florianopolitana. O fato é tratado como uma conquista pelos pesquisadores, biólogos e ambientalistas que trabalham no local.

Boni e Nanã são adultos órfãos que chegaram ao grupo bem imaturos ao local, mas se adaptaram à rotina de criação. Os filhotes do casal estão sendo observados pesquisadores, que aproveitam o momento para estudar mais detalhes a respeito da reprodução e do comportamento da espécie. As lontrinhas devem ser nomeadas pelo público, por meio de uma votação nas redes sociais.

O Projeto Lontra

O Projeto Lontra é a principal e mais antiga iniciativa de pesquisa e conservação desenvolvida pelo Instituto Ekko Brasil. É ele o responsável por toda a mobilização e esforço dispensados na idealização e concretização da criação do próprio Instituto. O Projeto Lontra tem 30 anos de história. Atualmente, as ações abrangem a recuperação, conservação e ampliação do conhecimento técnico de lontras e outros integrantes da família Mustelidae. Os trabalhos são realizados através de dois centros de pesquisa, conservação e educação ambiental em dois importantes biomas, um na Mata Atlântica e outro no Pantanal.

O projeto tem a base principal situada em Santa Catarina. Desde 2013, o Projeto Lontra possui uma base no Pantanal do Mato Grosso do Sul, na cidade de Aquidauana, onde também realiza pesquisa com as lontras e ariranhas selvagens. Em todos esses locais, o projeto, através da mobilização social, procura atingir pessoas de todas as idades para que elas possam entender a importância da conservação da biodiversidade. O objetivo é a recuperação e conservação da lontra neotropical (Lontra longicaudis) e da ariranha (Pteronura brasiliensis).

Situação das lontras no Brasil

De acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a Lontra longicaudis possui ampla distribuição no Brasil, ocorrendo em quase todas as regiões onde os corpos d’água são propícios, como rios, riachos, lagoas e em áreas costeiras com disponibilidade de água doce. Apesar disso, considerando-se que a taxa de desmatamento no Brasil é de cerca de 1% ao ano, estima-se um declínio populacional da espécie de aproximadamente 20% nos próximos 20 anos (3 gerações).

Associado a isso, perdas decorrentes de outros fatores como abate por retaliação ao conflito com a pesca e piscicultura, poluição, e expansão da malha hidroenergética podem levar o declínio populacional a se aproximar de 30% nos próximos 20 anos, quase atingindo o limite para a categoria Vulnerável (VU) de acordo com o critério A3cde. Não existem evidências de emigração ou imigração de indivíduos entre o Brasil e os países vizinhos. Desta forma, a espécie é classificada como Quase Ameaçada (NT). A fim de analisar a situação da espécie ao longo de sua área de distribuição, foi realizada uma avaliação por bioma. As informações utilizadas para avaliação em cada bioma forneceram subsídios para a avaliação nacional.


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