Força-tarefa resgata 295 animais silvestres em MG

Quase metade foi entregue voluntariamente pela população

Da Redação / Ecológico - redacao@revistaecologico.com.br
Fauna
Publicado em: 04/12/2018

Ao supervisionar de perto uma série de atividades econômicas em municípios do Médio São Francisco, na região Noroeste de Minas Gerais, a força-tarefa que compõe a Fiscalização Preventiva Integrada (FPI) no estado resgatou na última semana 295 animais. Entre as espécies apreendidas, há três exemplares de bicudo (Sporophila maximiliani) – classificado pelo Ministério do Meio Ambiente como “criticamente em perigo” pelo risco de extinção.

Segundo informações divulgadas pela força-tarefa, ao longo dos seis dias (de 25 a 30/11) de andança por cidades, estradas e áreas rurais do Rio São Francisco, foram resgatadas principalmente aves. São papagaios (69 verdadeiros e seis galegos), periquitos, maritacas, jandaias e tucanos, além de curiós, bem-te-vis e três exemplares de bicudo. Pelas condições precárias em que eram mantidos, alguns chegaram bastante debilitados.

Cada animal foi minuciosamente examinado e recebeu uma anilha de identificação. De acordo com a FPI Minas, 148 animais já voltaram ao seu hábitat. Eles foram soltos em área controlada, com condições ambientais propícias para a readaptação.

Conscientização ambiental

Incentivando a entrega voluntária, a força-tarefa conseguiu metade dos animais resgatados. O superintendente de Estratégia e Fiscalização Ambiental da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Semad), Flávio Aquino, avalia que a medida “tem enorme peso na educação ambiental, porque leva as pessoas a refletirem e a mudarem seus comportamentos voluntariamente”.

Esse sentimento foi comprovado de perto pelo médico veterinário da Semad Aníbal Souza, que participou das operações nos municípios do noroeste mineiro. “A pessoa se sensibiliza quando dizemos que animal silvestre não é doméstico, que esse não é um ambiente adequado e que será melhor para ele retornar ao seu hábitat natural”. Ele lembrou ainda que “manter animal silvestre em casa é crime, mas na entrega voluntária o cidadão não sofre nenhuma penalidade”.

Balanço da FPI Minas

Ao longo da fiscalização integrada, a força-tarefa também constatou irregularidades no armazenamento de agrotóxicos. Os agentes da FPI encontraram embalagens vazias descartadas ao ar livre, em condições que poderiam levar à infiltração dos resíduos no solo. “O risco do descarte indevido dessas embalagens nas propriedades é o de contaminar o solo, podendo inclusive chegar aos lençóis freáticos. Daí que uma das obrigações do produtor é guardá-las em galpões fechados e com piso impermeável até que sejam recolhidas”, explica o fiscal agropecuário Renato Coutinho.

Outro risco para a saúde pública flagrado foi o armazenamento e transporte de produtos perecíveis. Em um estabelecimento no município de Riachinho, foram recolhidos 850 quilos de queijo. Armazenado em local e condições impróprias, o produto seria revendido. Uma blitz realizada pelos agentes também flagrou o transporte irregular de 200 quilos de queijo. Tudo foi apreendido e destruído em uma usina de compostagem.

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Fotos: FPI Minas