Pesquisadores identificam gene que pode aumentar eficiência na produção de etanol

Supressão de gene relacionado à dureza da parede celular das plantas potencializa liberação de açúcar

Por Hiram Firmino
Inovação
Publicado em: 11/01/2018

Your caption text here

Uma equipe multinacional de pesquisadores do Brasil, Reino Unido e Estados Unidos identificou um gene envolvido na dureza das paredes celulares de vegetais. Trata-se de um considerável avanço para a produção de etanol de segunda geração, feito a partir da biomassa vegetal. A supressão desse gene aumentou a liberação de açúcares em até 60%. As descobertas do grupo foram apresentadas na revista New Phytologist.

“O impacto da pesquisa é potencialmente global, pois todos os países usam pastagens para alimentar seus animais e várias biorrefinarias em todo o mundo usam essa matéria-prima”, diz Rowan Mitchell, biólogo de plantas do Rothamsted Research, no Reino Unido, e co-líder da equipe.

Hugo Molinari, pesquisador no Laboratório de Genética e Biotecnologia da Embrapa Agroenergia (DF), que também coordena os trabalhos, informa que o setor envolve cifras bilionárias. “Somente no Brasil, o mercado potencial dessa tecnologia foi avaliado ano passado em R$ 1,3 bilhão para o segmento de biocombustíveis. Além do impacto econômico, é importante ressaltar o fato de ser uma descoberta altamente relevante para a comunidade científica “, afirma o cientista da Embrapa.

Bilhões de toneladas de biomassa de pastagens são produzidas todos os anos, observa Mitchell, e uma característica-chave dessas forrageiras é a sua digestibilidade, o que determina quão econômico é produzir biocombustíveis e quão nutritivo será para os animais.

Avanço para o etanol brasileiro

As descobertas irão beneficiar o Brasil, detentor de uma indústria de bioenergia em expansão que usa os resíduos de gramíneas, como milho e cana-de-açúcar, como biomassas para produzir bioetanol. A descoberta do gene permitirá o desenvolvimento de plantas com paredes celulares mais fáceis de serem quebradas.

A consequência será o aumento da eficiência na produção de bioetanol, o que, na avaliação de Molinari, da Embrapa, ajudará na substituição de combustíveis de origem fóssil e na redução da emissão de gases de efeito estufa.

Fonte: Embrapa