OMS estima que mais de 93% das crianças do mundo respiram ar tóxico

Poluição coloca desenvolvimento em risco e é causa de milhares de mortes

Da Redação / Ecológico - redacao@revistaecologico.com.br
Meio Ambiente
Publicado em: 30/10/2018

Frequentar postos de saúde e hospitais especializados em atendimento infantil em períodos de tempo seco é bastante comum para os pais nos grandes centros urbanos. E o que faz com que eles acompanhem seus filhos nessa rotina, de muita espera e sintomas associados a crises respiratórias, está mesmo no ar: trata-se da poluição atmosférica. Em relatório lançado nessa segunda-feira (29/10), a Organização Mundial da Saúde (OMS) apresentou números para essa realidade. Estudando o que acontece ao redor do mundo, a agência estima que, apenas em 2016, 600 mil crianças com menos de cinco anos morreram devido a infecções respiratórias causadas pelo ar poluído.

O estudo alerta que cerca de 93% das crianças do mundo, com menos de 15 anos de idade, respiram ar tão poluído que têm a saúde e o desenvolvimento em grave risco. Essa situação afeta, segundo a OMS, 1,8 bilhão de crianças em todo o planeta. O relatório confirma também que a poluição do ar causa câncer e que crianças expostas à poluição excessiva podem estar em maior risco de contrair uma doença cardiovascular crônica na vida adulta.

Em comunicado, o diretor da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, classificou a situação como “indesculpável”. Além de enfatizar que o ar poluído “intoxica milhões de crianças e arruína suas vidas”, ele lembrou que toda a criança “deve ser capaz de respirar ar puro para que possa crescer e realizar todo o seu potencial”.

A diretoria do Departamento de Saúde Pública, Meio Ambiente e Sociedade da OMS, Maria Neira, explicou que a poluição do ar prejudica o cérebro das crianças. A razão pela qual elas são especialmente vulneráveis ​​ao ar poluído, diz a OMS, é o fato de que respiram mais rapidamente que os adultos.

Soluções ambientais

Como parte do apelo à ação das comunidades internacionais, a OMS recomenda uma série de medidas para reduzir o risco à saúde. As ações estão ligadas ao tamanho de material particulado ambiental e incluem acelerar as mudanças na limpeza de combustíveis.

A agência enumera ainda a necessidade de aperfeiçoar tecnologias de aquecimento das casas e para cozinhar, promoção de transporte mais limpo, habitações com maior eficiência energética e planejamento urbano. A solução também passa pela geração de energia de baixa emissão, tecnologias industriais mais limpas e seguras e o melhor gerenciamento municipal de resíduos para reduzir a poluição do ar nas comunidades.

Saiba mais:

  • Globalmente, em 2016, uma em cada oito mortes (do total de 7 milhões) foi atribuída a efeitos da poluição do ar.
  • As cidades mais afetadas pela poluição atmosférica estão na Ásia, África e América Latina.
  • Entre 50 e 75% das crianças com menos de 5 anos viviam, em 2016, em áreas com baixa qualidade do ar no Brasil.
  • O relatório com o impacto da poluição do ar sobre a saúde das crianças foi lançado na véspera da primeira Conferência Global da OMS sobre Poluição do Ar e Saúde, em Genebra. O documento pode ser acessado na integra no site da entidade.

Crédito da Foto: Marcelo Camargo/ABr