Pesquisador analisa campanhas que desacreditam mudanças climáticas

Tese foi premiada pela Capes - Ministério da Educação

Da Redação / Ecológico - redacao@revistaecologico.com
Olhar Científico
Publicado em: 28/12/2018

Perguntado sobre as mudanças climáticas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse ao jornal The Washington Post: “Pessoas com o nível de inteligência alta como o meu não são necessariamente crentes nessa teoria”. A declaração foi feita uma semana antes da Conferência de Clima da Organização das Nações Unidas deste ano, a COP24. Da forma como ele se expressou, parece que tudo não passa de uma questão de opinião. Isso é o que alguns querem fazer crer, mesmo contrariando a maior parte de dados e estudos científicos.

Pesquisa premiada este ano pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), uma fundação do Ministério da Educação, analisou campanhas de comunicação que buscam minar os esforços para combater as mudanças climáticas. Elas foram objeto de estudo, no Programa de Pós-graduação em Comunicação da UFMG, do professor Daniel Reis Silva, com orientação de Márcio Simeone Henriques.

A tese problematiza como grupos minoritários impactam a opinião pública e querem transformar certezas científicas em crenças políticas ou debates ideológicos. À publicação “Boletim”, da UFMG, o professor Daniel Silva explicou alguns pontos de seu estudo:

Negar o aquecimento global

“A intenção é fomentar um cenário capaz de dificultar o posicionamento dos públicos sobre o tema. O apelo discursivo baseia-se na opinião e nos achados de uma minoria de cientistas, contrários à corrente hegemônica que comprova o aquecimento global antropogênico. A produção de dúvidas tenta enfraquecer e criar limites para os processos de formação e movimentação de públicos. E isso influencia a opinião pública.”

Criar verdades

“Conseguimos demonstrar que uma ­série de cientistas que negam o aquecimento global são pagos diretamente por grupos que, por sua vez, são financiados pela indústria de energia. Eles vão construindo uma rede de ocultação desses links e, quando entendemos essa lógica, percebemos tentativas claras de influenciar a opinião pública de maneira sutil, jogando o tempo todo com o segredo e com a visibilidade.”

Fomentar dúvidas

“Trata-se da produção e repetição incessante de dúvidas, que vão criando uma rede na qual impera uma lógica circular de manufatura de credibilidade, uma referenciação mútua constante por meio da qual apelos considerados como superados por outros cientistas acabam ganhando nova força na esfera pública.”

A tese, defendida em 2017, está disponível na internet.